experiências nutritivas

Os aprendizados relevantes são construídos a partir de vivências, por meio de circunstâncias das mais diversas ordens. Sejam situações desafiadoras ou grandes saltos, através de dificuldade ou com total fluidez, colocar-se em campo para experienciar sem reservas à vida nos faz acessar lições preciosas que passam, então, a compor a bagagem individual, elevando a eficiência da caixa de utilidades que cada um de nós traz consigo. Vem daí a questão: toda experiência é nutritiva?

Depende. Pessoalmente, considero que aquelas experiências que mantém o foco no que é essencial para atender aos meus valores e princípios inegociáveis são o fio condutor que mais tem potencial para somar valor à rotina e, consequentemente, converter as vivências em experiências nutritivas fruto de escolha soberana. Então, extrapolo esse mesmo enfoque e posso aferir que este também seja o trajeto que coloca os demais em seu próprio caminho de crescimento, de filtro nutritivo ante suas rotinas singulares. Afinal, é importante que haja sempre clareza para perceber tais vetores e saber nortear as escolhas e a vida rumo ao que nos leva adiante em coerência e paz.  

Experiências nutritivas, portanto, costumam impactar em nossa qualidade de vida a partir do ponto em que agregam ao nosso sentido de completude, de nutrição interna. Daí a importância de optarmos por caminhos que contemplem a ampliação de conexão pessoal. A pergunta seria: faz sentido para mim? Mesmo no tocante ao conjunto de experiências de ordem profissional, onde o foco prioritário reside em melhoria de performance e conversão desta em possibilidades de ganhos mais expressivos, a condição interna – o estado de presença equilibrado, permeável e criativo de onde operamos – afeta a qualidade da assimilação e nutrição das experiências vivenciadas por nós. 

O mero desejo de ver reverberar a intensidade do que experienciamos não se faz suficiente quando nos encontramos em fases conturbadas. E, é frustrante quando, às vezes, nos damos conta que conteúdos inteiros com os quais interagimos se perdem em meio à dispersão da mente, ao esforço na manutenção da concentração e ao excesso de preocupações e volume de informações. Não é raro ter notícias de líderes que simplesmente sentem a necessidade imperiosa de se reinventar sob pena de colocarem tudo a perder em função de altíssimos níveis de desgaste emocional, rotinas pouco saudáveis e performance comprometida por estresse e quadros críticos de ansiedade.

Assim, há que estarmos perceptivos, atentos e presentes a ponto de observar nossas reações automáticas e padrões de comportamento que podem não estar promovendo o melhor aproveitamento possível capaz de tornar o cotidiano um lugar mais nutritivo e não apenas um campo de provas exaustivo. Não costuma ser fácil, entretanto é simples. E isso já é uma chave bastante promissora a ser utilizada. Ser trabalhoso, quer dizer apenas que demanda algum treino, no sentido de prática constante, de gerar um novo hábito talvez, que acomode padrões mais salutares, inserindo possibilidades variadas de tornar essa prática algo natural, uma segunda natureza de si próprio. E, desse modo, percebe-se o valor do passo inicial, de avançar com foco.

Cabe mencionar que essa capacidade de priorizar esse estado interno favorável que nos mantém em alinhamento com emoções restauradoras retroalimenta nossa percepção de bem-estar que, por sua vez, prolonga o estado favorável de presença. Ao estabelecer envolvimento com aquilo que nos agrega autenticidade ao cotidiano, geramos hábitos capazes de resgatar atitudes que contribuem para o autocuidado, a desaceleração pontual e a inclusão de um ritmo mais cadenciado e harmonioso. Abrir espaço para SER, costuma ampliar a disposição e fluidez de FAZER. O saldo é positivo e acumulativo, Tão melhor que, como já foi dito anteriormente, seja uma implementação simples que requer apenas intenção clara, foco e alguns ajustes com leveza, que já se tem avanços.

Fica aqui o convite a refletir quanto aos insights que chegam quando o assunto são as atitudes essenciais para trazer mais bem-estar e alinhamento à sua vida. Cada um tem suas próprias receitas de atividades que encurtam a jornada rumo ao seu estado interno favorável, com maior frequência. Somos todos um complexo infinito de variáveis e predileções afinal. Mas, via de regra, esse imenso conjunto de preferências e afinidades costuma passar pelo contato e retorno à natureza, pela conexão com algo grandioso – como as florestas, o mar, os rios, o céu – que evoca a harmonia, a perfeição e o sentido de integração possível e sustentável entre todos os organismos vivos. 

Variados ramos da ciência, inclusive, já se renderam ao estudo da influência preponderante da natureza na qualidade do bem-viver. Assim é que o conceito de biofilia estendeu-se à arquitetura, ao design e outros nichos correlatos, gerando impacto, cada dia mais, em segmentos da indústria que passam a contribuir para a melhor qualificação dos espaços e ambientes, proporcionando conforto, ânimo, influenciando na criatividade, na saúde e produtividade das pessoas – vida de qualidade. Vale a experiência: busque a sua natureza ao aliar-se à natureza e promova bem-estar.    

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